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Psicólogo Manoel Neto é encontrado morto em casa no mesmo dia em que denunciou racismo sofrido em camarote no Carnaval do Rio de Janeiro

"Eles respeitam nossa raiva; todo o resto é desumanidade." Escreveu o psicólogo em carta aberta nas redes sociais. 


Por: Leonardo Guimarães 



                via//perfil/@manoelnetopsi


Manoel Neto, psicólogo de 32 anos, foi encontrado morto em sua residência na última terça-feira ( 17 ) em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiana. No mesmo dia, nas suas redes sociais, em uma carta aberta Manoel denunciou o crime que sofreu em um camarote durante o Carnaval de Salvador. 

Manoel diz que enquanto saia do banheiro do camarote de Olinda, em Salvador, foi pedindo licença e desejando feliz Carnaval para todos. Em um certo momento, um homem branco bloqueava a passagem, deixando um espaço curto para que Manoel pudesse passar e continuar sua rota, ao pedir permissão para passar  de forma aducada, o homem deu um passo para o lado fechando totalmente qualquer possibilidade de passagem. O psicólogo então tocou nas costas do homem e perguntou: " posso passar ? " O homem então se virou para Manoel e ficou em silêncio. Manoel forçou a passagem e reagiu com um ton mais agressivo. 

Em sua carta aberta nas redes sociais o psicólogo explica: "Nessa hora me lembrei: sou um homem negro. Eles respeitam a minha agressividade e não a minha cordialidade"

Amigos e estudantes reforçaram a importância do diálogo sobre o racismo estrutural, sabendo de como ele impacta ativamente o mental de pessoas pretas. 


Com mestrado em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia, a UFBA, Manoel Neto era bastante conhecido por abordar questões étnico-racial em su perfil nas redes sociais, além do seu trabalho na área da psicanálise.


Manoel foi velado na última quarta-feira ( 18 ), na Santa Casa de Misericórdia e sepultado no Cemitério Municipal da Cidade de Amargosa - BA, lugar onde o o psicólogo nasceu.