Pular para o conteúdo principal

Entre racismo e machismo: a semana que o futebol não foi futebol

Em uma semana, o futebol mundial chamou atenção por algo que corre por fora das quatro linhas. Racismo, machismo e um pequeno toque de ignorância entraram em campo e, nessa partida, a minoria foi mais ferida do que um gol no último minuto dos acréscimos.

O futebol, esse esporte que não nasceu aqui, mas que é uma das maiores paixões do povo brasileiro, não foi destaque por aquilo que faz todos nós nos encantarmos e nos arrepiarmos na última semana. No lugar do gol, veio a ferida; no lugar do arrepio, a inconformidade. Em quatro estádios diferentes, uma igualdade: a misoginia!

Portugal, no play-off da maior competição de clubes de futebol: após a coisa mais importante e gratificante desse esporte, o gol, Vinícius Junior foi para a bandeirinha de escanteio e bailou. Bailou para comemorar um golaço e, em seguida, foi chamado por pelo menos três vezes de "mono", tradução de macaco em espanhol, pelo argentino Gianluca Prestianni, como foi dito por Mbappé, companheiro de equipe do Vini Junior.

São Paulo, após as quartas de final do Campeonato Paulista: o zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, deu uma das piores entrevistas que já se viu nesse esporte ao protestar contra a árbitra Daiane Muniz, após a eliminação do seu time da competição. "Não adianta colocar uma mulher para apitar um jogo desse tamanho", "ela não foi mulher" e mais algumas outras ofensas machistas o zagueiro disparou. Ali, na beira do campo, com uma câmera gravando ele ao vivo, sem se intimidar, sem ponderar.

Acre, antes da partida eliminatória da Copa do Brasil: os jogadores da equipe do Vasco-AC, que tem no seu elenco o goleiro Bruno, que foi acusado de matar e sumir com o corpo de sua mulher, mostraram quatro camisas que pertencem aos atletas Erike Luis, Matheus Silva, Brian Peixoto e Alex Pires, apelidado de Lekinho, todos presos com a suspeita de terem estuprado duas mulheres dentro do alojamento do próprio Vasco-AC.

São Paulo, quartas de final do Campeonato Paulista: Hugo Sousa, três pênaltis defendidos, um no tempo normal e dois nas disputas de pênaltis. O herói corintiano saía do campo, ainda comemorando sua performance e a classificação de sua equipe, e saiu debaixo de xingamentos racistas de meia dúzia de pessoas que se dizem torcedores da Portuguesa de São Paulo. "Favelado", "sem dente", "piolhento" e um "vai cortar esse cabelo" foram ouvidos pelos criminosos.

Essas quatro situações aconteceram em uma semana. Na semana em que o resultado em campo não foi importante, na semana em que o futebol não foi futebol.