Jornalista foi assassinado nas dependências do DOI-COD, em 1975
Por: Leonardo Guimarães

Na última terça-feira ( 18 ) o Ministério dos Direitos Humanos tornou o jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura, como anistiado político, ou seja, livre de qualquer crime político. A esposa de Vlado, Clarice Herzog, receberá uma pensão vitalícia de um pouco mais de R$ 34 mil reais.
Em 2004 a comissão de anistia já havia reconhecido Vlado como anistiado, feito o pedido de desculpas oficial para a família e, em nota junto com o Ministério dos Direitos Humanos da época, ratificaram seus compromissos com a memória das vítimas da ditadura militar.
Com base na lei de anistia de 2002, que concede recompensa para vítimas de tortura e repressão, a família de Herzog solicitou a indenização, que será no valor total de R$ 34,577.89. O valor da multa vitalícia se refere ao salário de um diretor de departamento de jornalismo da TV Cultura, cargo em que Vlado Herzog exercia em Outubro de 1975, ano em que foi assassinado.
Preso, torturado e assassinado
Detido em 1975 no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna ( DOI-COD ), unidade de repressão do regime militar brasileiro que mantinha detidos presos políticos e pessoas contrarias à ditadura militar, sendo acusado de envolvimento com o Partido Comunista Brasileiro ( PCB ), que na época funcionava de forma ilegal por ser um partido contrário ao regime, Herzog foi torturado e morto por militares. Na época, o caso foi oficializado como suicídio, sendo divulgadas algumas fotos forjadas para sustentar a versão dada pela regime militar, porém essa tese foi desmentida em seguida. Em 1978, a justiça responsabilizou o regime pelo assassinato do jornalista.
Herzog tinha 38 anos e foi mais uma vítima da truculência que 20 anos de ditadura militar causou no Brasil. O assassinato de Vlado é considerado por muitos historiadores um dos principais marcos da luta contra a ditadura militar brasileira.